Dia 7 de setembro marcado não só pela comemoração da independência mas também pela marcha contra a corrupção que será sem dúvidas, um marco para o país. No entanto, o espaço da mídia é algo que ainda resta ser conquistado. Dentre diversas reportagens tratando do assunto, a que encontrei na Carta Capital foi a que mais me agradou:
"[...] Em sintonia com movimentos organizados em outros locais do país, o protesto reuniu manifestantes de todos os tipos, das indignações mais específicas (pela PEC 300, que cria um piso salarial para policiais, contra o projeto da Nova Luz e até contra desapropriações no Jabaquara) até as mais generalistas. Às 9h, o primeiro grupo já se reunia no vão livre do Masp, onde se concentravam os “Caras Pintadas”, em referência ao movimento que participou do processo de impeachment de Fernando Collor em 1992. Em seu ápice, reuniram 800 pessoas.
Por falta de autorização da CET, a caminhada pela avenida teve que ser interrompida. O que não frustrou os organizadores. “O que eu queria, consegui”, disse Felipe Mello, um dos organizadores. “Foi um pontapé inicial”, afirma ele, deixando claro que era organizador, e não “liderança”. Isso porque o movimento não tem líderes e é apartidário, disperso em várias frentes, conforme definiu. “Tem que espalhar, não tem que concentrar”.
“A manifestação não tem definição política, não tem um partido que seja acima do bem e do mal. É contra a corrupção”, afirma Saulo Resende, 28 anos.
Sarney, Jaqueline Roriz, Ficha Limpa são os nomes que circulam entre as frases de protesto. À primeira vista, não há causas a serem abraçadas, como fizeram os espanhóis em 15 de maio, na Porta do Sol, em Madri, quando se reuniram em protesto contra as medidas de austeridade do governo José Luis Zapatero – e o desemprego e as condições de trabalho da juventude. Na Paulista, a principal meta era criar uma “cultura da manifestação”, um modo apolítico de se fazer política.
Além do “Caras Pintadas”, outros grupos se organizaram pela internet para marchar contra a corrupção no Dia da Independência. O Anonymous, por exemplo, marcou sua marcha para as 14h. Aos poucos, anônimos e cobertos pela máscara do personagem do filme “V de Vingança”, os manifestantes se uniram aos pintados para a rodada vespertina de protestos. O grupo tornou-se famoso depois que hackers ligados a eles atacaram sites do governo há alguns meses.